Estou à procura
De um ponto de equilíbrio
Entre a lucidez e a sanidade
Entre a falsa expectativa e o conceito de tempo
Entre o medo do futuro, e o resíduo do passado
Estou sonhando, mas então acordo
E tudo que pensava estar certo
Era um sonho dentro de um sonho
Vejo minhas mãos
Meu rosto
E tudo não passa de um espelho de mal gosto
Infiltrado na minha própria ilusão, sem descanso
Sem auto questionamento
Sem estima, à deriva
Um vácuo na racionalidade
Uma espera ansiosa pelo nada
Pelo espaço sem fim
De um subconsciente
Inevitável e inconscientemente instável
Alto infringido
Uma tragada entre milhões de vidas
Um respiro de pressão
Minha saída
Meus falsos caminhos
Minha liberdade baseada na falta dela
Meu sofrimento de batalha
Minha ilusão de presente
Minhas mágoas do passado
Meu fantasma do futuro
Meu avanço pelo tempo
Minha característica
Então nada é meu
Nem eu
Tudo não me pertence
Nem eu, nem sequer a ilusão
E quando o sol se põe
A realidade gruda em meu pescoço
Como um espírito inefável
Como uma coleira presa à tátil realidade permanente
Difícil
Uma pornô crueldade estagnada em minha carne
Em meus ossos
Na minha dor de coluna
No meu recente corte de cabelo
Dessa maldita realidade travada no tempo
O que é ilusão¿ O sonho de ontem¿ Ou a realidade de
amanhã¿
Bom, o presente, esse eu conheço muito bem
Luto contra ele todo dia
Para tornar o futuro, um sonho digno de um profeta amador
Um mago hipócrita e vulgar
Que se vangloria através da própria linha de raciocínio
Basta esperar o inevitável amanhã
Um banho de sangue e lágrimas
Condensada pela brisa noturna na janela de vidro frio
Em um quarto sem portas, onde todos me esperam lá fora
Com sorrisos esperançosos e cadentes
Eles requerem chances que se esgotam
De uma vasilha real e barulhenta
Em uma cozinha cheia de louças e venenos
Da mais maldita ilusão
Da minha maldita falta de senso
De realidade
Basta!
