domingo, 4 de maio de 2014

Sanidade Temporal (In)

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Estou à procura

De um ponto de equilíbrio

Entre a lucidez e a sanidade

Entre a falsa expectativa e o  conceito de tempo

Entre o medo do futuro, e o resíduo do passado

Estou sonhando, mas então acordo

E tudo que pensava estar certo

Era um sonho dentro de um sonho

Vejo minhas mãos

Meu rosto

E tudo não passa de um espelho de mal gosto

Infiltrado na minha própria ilusão, sem descanso

Sem auto questionamento

Sem estima, à deriva

Um vácuo na racionalidade

Uma espera ansiosa pelo nada

Pelo espaço sem fim

De um subconsciente

Inevitável e inconscientemente instável

Alto infringido

Uma tragada entre milhões de vidas

Um respiro de pressão

Minha saída

Meus falsos caminhos

Minha liberdade baseada na falta dela

Meu sofrimento de batalha

Minha ilusão de presente

Minhas mágoas do passado

Meu fantasma do futuro

Meu avanço pelo tempo

Minha característica

Então nada é meu

Nem eu

Tudo não me pertence

Nem eu, nem sequer a ilusão

E quando o sol se põe

A realidade gruda em meu pescoço

Como um espírito inefável

Como uma coleira presa à tátil realidade permanente

Difícil

Uma pornô crueldade estagnada em minha carne

Em meus ossos

Na minha dor de coluna

No meu recente corte de cabelo

Dessa maldita realidade travada no tempo

O que é ilusão¿ O sonho de ontem¿ Ou a realidade de amanhã¿

Bom, o presente, esse eu conheço muito bem

Luto contra ele todo dia

Para tornar o futuro, um sonho digno de um profeta amador

Um mago hipócrita e vulgar

Que se vangloria através da própria linha de raciocínio

Basta esperar o inevitável amanhã

Um banho de sangue e lágrimas

Condensada pela brisa noturna na janela de vidro frio

Em um quarto sem portas, onde todos me esperam lá fora

Com sorrisos esperançosos e cadentes

Eles requerem chances que se esgotam

De uma vasilha real e barulhenta

Em uma cozinha cheia de louças e venenos

Da mais maldita ilusão

Da minha maldita falta de senso

De realidade

Basta!