Flutuava por entre os becos frios
planava livre sobre os telhados gelados
sentia hora ou outra o alento quente das chaminés
o cheiro de madeira queimando em brasas
no horizonte o alto bosque em trevas
garante, porém, o aconchego do isolamento
o odor constante de mata molhada
o som da brasa nas lareiras de pedra
as lanternas oscilantes
a vila escurecida pela escuridão do céu
em algum lugar água escorre gelada
em algum canto alguém sorri pro seu amor
em qualquer canto uma criança brinca com o seu cão
em alguma casa uma família dorme
em outra uma conta histórias
o vento úmido gela meu rosto fantasmagórico
trás a névoa filtrada pela mata vazada
o senhor que carrega a tocha de fogo firme
caminha pelas ruas de pedra
ascende cada lanterna que;
dependuradas nas paredes, são a trilha para o centro
são a beleza da noite, elas não dormem
cuido para que cada luz não se apague
nestas ruas de paz
em algum lugar do passado
isso era um paraíso
hoje são ruínas
e eu, um fantasma perdido
que alimentava o fogo, a luz, o calor
e me alimentava da natureza
com respeito e sabedoria
tudo se foi
mas eu ainda estou aqui
nas chamas de quem não perdeu o brilho
nas lindas lanternas hoje raras
porém tão lindas, tão valiosas
ainda estou aqui
alimentando o mesmo fogo
que nasce da mesma natureza
com o mesmo calor
com a mesma luz
com a mesma intensidade
com o mesmo som
eu sou o mesmo...
...e serei pra sempre
sem luz não há escuridão
sem escuridão não há o seu brilho
sou o fantasma que te observa
na fronteira das trevas
que te abraça sem que perceba
no escuro das suas ruínas
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